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Como Funciona o Tratamento de Efluentes Industriais, e porque você deve fazer em sua empresa

Com o número de indústrias em funcionamento, é normal que o número de efluentes lançados no meio ambiente aumente. Mas, o não tratamento de efluentes podem ocasionar em grandes problemas ao meio ambiente.

Então, como prevenir esses problemas? É isso que eu vou mostrar neste artigo…

Mas, primeiro…

O que exatamente são efluentes?

Efluentes são produtos – líquidos ou gasosos – derivados de ações humanas. Podem ser classificados em dois tipos: industriais e domésticos.

As chaminés industriais são grandes emissoras de efluentes gasosos. Já os efluentes líquidos têm origens diversas. Trata-se de água envolvida em algum agente poluente como matéria orgânica, compostos químicos e tóxicos.

A água que existe nestes resíduos precisa de tratamento, pois certamente foi contaminada por algum processo. Se a água não for tratada, ocorre a poluição dos corpos hídricos e consequentemente a água se torna imprópria para consumo.

Tipos de tratamento de efluentes

Como sabemos, os efluentes precisam ser tratados para retornarem aos recursos hídricos. Se forem despejados diretamente, o impacto ambiental gerado e os custos para recuperação serão enormes.

O tipo de tratamento pode ser indicado de acordo com a carga poluidora e a presença de contaminantes. Especialistas da área são treinados para coletar e realizar análises dos parâmetros que representam a carga orgânica e a carga tóxica dos efluentes.

Há diversas Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs) pelo Brasil. Elas são responsáveis pelo processo de limpeza dos efluentes para que estes possam retornar ao meio ambiente com segurança.

Tratamento de efluentes industriais

A água pode ser usada pela indústria de diversas formas: na incorporação ao produto, lavagens de máquinas, tubulações e pisos, nos sistemas de resfriamento e geradores de vapor e no processo industrial.

A água não necessita de tratamento final somente quando é incorporada aos produtos. Em todos os casos, os efluentes líquidos industriais precisam ser tratados, uma vez que são contaminados com resíduos gerados nos processos produtivos.
Os processos de tratamento são classificados em físicos, químicos e biológicos, conforme a natureza dos poluentes a serem removidos ou pelas operações utilizadas para o tratamento.


Processos físicos

São os processos que removem os sólidos em suspensão sedimentáveis e flutuantes através de separações físicas como gradeamento, peneiramento, caixas separadoras de óleos e gorduras, sedimentação e flotação.

Os processos físicos removem a matéria orgânica e inorgânica em suspensão coloidal e reduzem ou eliminam a presença de microrganismos através de processos de filtração em areia ou em membranas (microfiltração e ultrafiltração). Os processos físicos também são utilizados com o objetivo de desinfecção, como é o caso da radiação ultravioleta.


Processos químicos

Em diferentes etapas dos sistemas de tratamento, os processos químicos utilizam produtos como: agentes de coagulação, floculação, neutralização de pH, oxidação, redução e desinfecção. Estes elementos conseguem remover os poluentes por meio de reações químicas, além de condicionar a mistura de efluentes que será tratada nos processos seguintes.

 

Entre os principais processos químicos estão:

  • Clarificação química (remove matéria orgânica coloidal, incluindo coliformes);
  • Eletrocoagulação (remove matéria orgânica, incluindo compostos coloidais, corantes e óleos/ gorduras);
  • Precipitação de fosfatos e outros sais (remoção de nutrientes), pela adição de coagulantes químicos compostos de ferro e ou alumínio;
  • Cloração para desinfecção;
  • Redução do cromo hexavalente;
  • Precipitação de metais tóxicos;
  • Oxidação por ozônio, para a desinfecção;
  • Oxidação de cianetos;
  • Troca iônica.

Processos biológicos

O tratamento biológico de esgotos e efluentes industriais tem o objetivo de remover a matéria orgânica dissolvida e em suspensão ao transformá-la em sólidos sedimentáveis (flocos biológicos) e gases. O tratamento biológico praticamente reproduz os fenômenos que ocorrem na natureza, em menos tempo.

 

Seus principais processos são:

  • Processos aeróbios: representados por lodos ativados e suas variações, como aeração prolongada, lodos ativados convencionais, lagoas aeradas facultativas e aeradas aeróbias.
  • Processos anaeróbios: ocorrem em lagoas anaeróbias e biodigestores.
  • Processos facultativos: realizados pela utilização de filtros biológicos, biodiscos e biocontactores e por lagoas (fotossintéticas e aeradas facultativas). Os biocontactores também apresentam processos biológicos aeróbios.

 

O tratamento biológico é uma das alternativas mais econômicas e eficientes para a degradação da matéria orgânica de efluentes biodegradáveis. Nesse processo ocorre a ação de agentes biológicos como bactérias, protozoários e algas. Essa degradação pode ocorrer por meio do tratamento biológico aeróbio e anaeróbio.

Os processos aeróbicos e anaeróbicos trabalham na composição da matéria orgânica suspensa e dissolvida na água, que gera gás carbônico, material celular e água. Ao final destes processos, o efluente pode se tornar até 95% livre de poluentes.


Tratamento biológico aeróbio

No tratamento biológico aeróbio os microorganismos promovem a degradação das substâncias orgânicas, que são assimiladas como alimento e fonte de energia, de acordo com processos oxidantes.

Nesse processo, é importante que o efluente seja submetido a temperaturas específicas, esteja com o pH e oxigênio dissolvido (OD) controlado, e deve respeitar a relação da massa com os nutrientes de Demanda Biológica de Oxigênio (DBO) que variam de acordo com a estação.

As bactérias responsáveis por este processo de eliminação da matéria orgânica são, geralmente, heterótrofas aeróbias e facultativas e promovem a remoção da matéria orgânica de forma eficaz.

Os sistemas aeróbios mais comuns são lagoas aeradas, filtros biológicos e os sistemas de lodos ativados que possibilitam melhor eficiência em remoção de cargas.

 

Quais são as vantagens do tratamento biológico aeróbio?

  • Comunidades e indústrias, principalmente do ramo de alimentos e bebidas, são beneficiadas quando o sistema é complementado pelo tratamento aeróbio.
  • Maior rendimento, pois alcançam maiores taxas de remoção da matéria orgânica. Os sistemas de lodos ativados com aeração prolongada atingem até 98% de eficiência na remoção de DBOs.
  • Menores riscos de emissões de odor
  • Maior capacidade de absorver substâncias difíceis de degradação.

Desvantagens

  • O sistema de tratamento aeróbio precisa de uma área extensa para sua implantação.

Tratamento biológico anaeróbio

Entre os sistemas mais comuns de tratamento anaeróbio estão as lagoas anaeróbias, os tanques sépticos, os filtros anaeróbios e os reatores de alta taxa. Estes são capazes de receber maiores quantidades de carga orgânica por volume, como os reatores UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket) ou RAFAs (Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente).

De acordo com o tipo de efluente a ser tratado, há risco de emissão de odores nesses sistemas. Esse risco pode variar dependendo do controle operacional do sistema e características dos equipamentos utilizados.

O processo anaeróbio converte parte da matéria orgânica em gás carbônico e metano. Por isso, é recomendada a utilização de queimadores de gases, já que esse tipo de gás contribui na poluição da camada de ozônio.

 

Vantagens

  • Mecanização reduzida e baixo consumo energético
  • Geração de menor taxa de lodo residual
  • Necessita de área menor para sua instalação.
  • Trata efluentes com altas concentrações de substâncias orgânicas.

 Desvantagens

  • Demanda temperatura relativamente alta – entre 30º e 35º C – para uma boa operação. Efluentes diluídos podem não produzir metano suficiente para o aquecimento, o que representa uma limitação no processo.
  • Lenta taxa de crescimento das bactérias produtoras de metano, o que gera a necessidade de longos períodos para o início do processo. Os ajustes são limitados de acordo com a mudança na carga do efluente, temperatura e outras condições do ambiente.

Se forem lançados sem tratamento na água, os efluentes domésticos e industriais podem ocasionar danos ao meio ambiente.

Entretanto, a preocupação com o tratamento de efluentes não é uma prioridade para todas as indústrias e centros urbanos. Grande quantidade de efluentes continua sendo despejada no meio ambiente, sem nenhuma espécie de cuidado ou tratamento intermediário. Esta ação descomprometida com o ecossistema gera consequências devastadoras.

 

Poluição hídrica: problemas para o ecossistema aquático

O lançamento de efluentes líquidos não tratados, gerados por indústrias e esgotos sanitários, em rios, lagos e córregos provocam grave desequilíbrio no ecossistema aquático. O esgoto doméstico, por exemplo, consome oxigênio em seu processo de decomposição, o que causa a mortalidade de peixes.

Em altas concentrações, os nutrientes – fósforo e nitrogênio – presentes nos despejos causam ainda a proliferação excessiva de algas, o que também desequilibra o ecossistema local.

Os poluentes químicos derivados de agrotóxicos e metais se acumulam nos organismos de animais e plantas aquáticas e causam um efeito tóxico. Outro efluente que afeta esses modos de vida são as águas utilizadas em sistemas de refrigeração, que causam a poluição térmica. Quando despejado no rio, este efluente acarreta o aumento da temperatura da água, diminuindo a concentração de oxigênio e impactando os organismos do meio.

 

Transmissão de doenças pelas águas contaminadas

Os efluentes líquidos não tratados, quando lançados no ambiente, podem comprometer seriamente a saúde da população. A água poluída provoca doenças como cólera, disenteria, meningite, amebíase e hepatites A e B.

Já os efluentes industriais que poluem os rios podem causar contaminação por metais pesados, provocando tumores hepáticos e de tireoide, rinites alérgicas, dermatoses e alterações neurológicas.

 

Poluição do ar: efluentes gasosos e seus danos à saúde

Os efeitos nocivos na atmosfera são sentidos de forma global, já que o ar é um recurso natural compartilhado por todo o planeta. O efeito estufa, a destruição da camada de ozônio e as chuvas ácidas são exemplos de fenômenos agravados pela emissão de efluentes gasosos industriais. A poluição atmosférica, assim como a aquática, tem como consequência geral o desequilíbrio nos ecossistemas.

Algumas doenças são causadas e agravadas pela liberação de efluentes gasosos não tratados na atmosfera, tais como: asma, enfisema, doença pulmonar obstrutiva crônica e até câncer de pulmão.

 

O impacto da emissão de poluentes na natureza

Devido ao crescente desenvolvimento industrial e urbano, a sociedade sofre cada vez mais o impacto da emissão de poluentes na natureza. A concentração dessas substâncias no ar, sua deposição no solo, nos vegetais e em outros meios danifica as florestas, provoca prejuízos à saúde, além de redução na produção agrícola.

Desta forma, é importante ressaltar a importância do tratamento de efluentes brutos, tanto industriais quanto domésticos. Além de gerarem um impacto negativo nos ecossistemas, eles afetam diretamente a qualidade de vida do ser humano.

Echowater

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Buscamos soluções contínuas para melhorar a utilização e qualidade da água, desenvolvendo para nossos clientes projetos modernos, econômicos e ambientalmente corretos, oferecendo também estratégias que busquem minimizar problemas relacionados a disponibilidade hídrica e ao lançamento de efluentes.

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