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O que é e como funciona a reciclagem de efluentes?

A água não é um recurso inesgotável. Sua escassez está cada vez mais evidente e é sentida por todos, sejam países pobres, em desenvolvimento ou ricos, que sofrem com seca, doenças associadas ao problema e racionamentos constantes.

Diante desta realidade, é fundamental abrir os olhos para uma prática inevitável: a reciclagem de efluentes e a reutilização de recursos hídricos.

O recurso, ainda pouco explorado, aponta as inúmeras possibilidades da reciclagem e mostra que existe tecnologia para filtrar as impurezas e reaproveitar a água sem riscos. Muitos países já fazem isso, principalmente no setor agrícola, o que mais explora os recursos hídricos. No Brasil, há iniciativas surgindo em alguns municípios e indústrias.

As águas residuais são um recurso valioso em um mundo no qual a água é finita. Essa preocupação ambiental fez com que as Nações Unidas lançassem a meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, que pretende reduzir pela metade a proporção de águas residuais não tratadas e aumentar a reutilização de água potável até 2030.

 

Quais são as fontes de águas residuais?

Águas residuais podem vir de diversas fontes. No ambiente doméstico, é aquela descartada no banho, no vaso sanitário, no encanamento da água de lavar roupa — enfim, tudo o que vai embora pelo ralo.

Na indústria, são os efluentes que sobram dos diversos processos de -produção. Na indústria têxtil, a fabricação de um jeans, por exemplo, consome até 10 mil litros de água. Já na agricultura, os resquícios da irrigação são sentidos – o cultivo de 1kg de arroz exige até 3 toneladas de água. Tudo isso, independentemente do setor em que é gerado, acaba no esgoto.

As águas residuais são um recurso valioso e podem ser parte da solução da crise hídrica. Toda essa água, que costuma ser eliminada o mais rápido possível, pode ser recuperada e reaproveitada.

 

Reutilização de água em larga escala

Como vimos, é muito importante aumentar a aceitação pública da reutilização da água. No mundo, já há experiências de reúso em larga escala, inclusive para o consumo humano. O fundador da Microsoft, Bill Gates, anunciou o desenvolvimento, no Senegal, de uma máquina que transforma detritos em água potável em segundos.

Além de filtrar e tratar o líquido, o Omniprocessor reaproveita o resíduo como adubo e gera energia.

No Brasil, entretanto, o foco do reúso de águas residuais não é o consumo humano. Aqui, os principais alvos são a indústria e a agricultura.

Em São Paulo, a maior experiência industrial vem do Polo Petroquímico da Petrobras, que, com iniciativas no Rio de Janeiro, no Paraná e em Pernambuco, utilizou 24 bilhões de água reciclada, o suficiente para abastecer uma cidade de 600 mil habitantes por ano. A companhia afirma que economizou 35 bilhões de litros de água doce.

No setor agrícola, o Núcleo de Pesquisa em Geoquímica e Geofísica da Litosfera da Universidade de São Paulo (USP) testou, por 15 anos, o reúso da água residual na irrigação de lavouras de Lins e Piracicaba.

O esgoto foi tratado, mantendo os níveis de minerais e nutrientes, como nitrogênio e fósforo. A economia no uso de fertilizantes nitrogenados foi de 80% no plantio do capim destinado à alimentação do gado. Além do retorno da água, os resíduos podem ser aproveitados não só na agricultura, mas também na indústria.

 

Objetivos da reutilização da água

À medida que a necessidade de fazer mais com menos se intensifica, a disponibilidade e qualidade da água são fatores limitantes para o crescimento industrial e das comunidades.

Setores e cidades precisam de uma tecnologia que atenda a seus desafios diários, melhorando a produtividade, confiabilidade e eficiência, e reduzindo com essas ações o custo total. Esses desafios ressaltam ainda mais a necessidade de inovação tecnológica para reinventar a maneira como tratamos, distribuímos e reutilizamos a água.

Entre as principais formas de reutilização da água estão:

 

  • Transformação do tratamento de efluentes em potencial de recuperação de recursos;
  • Geração de subprodutos valiosos em forma de reutilização de água, remoção de nutrientes e geração de energia;
  • Atendimento às demandas globais de água e energia com um fornecimento mais sustentável da água;
  • Tratamento os efluentes para obter uma qualidade adequada para aplicações não potáveis, necessidades agrícolas, recarga de água subterrânea e processos industriais.

 

Reciclagem de efluentes: tipos, processos específicos e cuidados

Atualmente, as soluções mais modernas em termos de gestão de recursos hídricos consistem na reciclagem de efluentes industriais e derivados de esgotos disponíveis nas áreas urbanas para complementar o abastecimento público.

A prática de reúso para fins não potáveis já é reconhecida em diversos países. Atualmente, a proposta avança para reúso potável por meio da utilização dos sistemas de distribuição existentes, eliminando os custos associados a linhas paralelas para distribuição de água de reúso.

Os fundamentos ambientais, de saúde pública e gerenciais, assim como os sistemas de tratamento avançados e as técnicas de certificação da qualidade da água disponíveis, permitem a utilização de uso de recursos hídricos locais, produzindo “água segura”.

Formas de reúso de água

De maneira geral, o reúso da água pode ocorrer de forma direta ou indireta, por meio de ações planejadas. De acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS existem:

  • Reúso indireto: ocorre quando a água já utilizada, uma ou mais vezes para uso doméstico e industrial, é descarregada nas águas superficiais ou subterrâneas e utilizada novamente, de forma diluída;
  • Reúso direto: é o uso planejado e deliberado de esgotos tratados para certas finalidades como uso industrial, irrigação, recarga de aqüífero e água potável;
  • Reciclagem interna: é o reúso da água internamente pelas instalações industriais, tendo como objetivo a economia de água e o controle de poluição.

Já a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) adota uma classificação de reúso de água em duas grandes categorias: potável e não potável. Esta classificação é amplamente adotada por sua praticidade e facilidade.

Reúso potável

  • Reúso Potável Direto:quando o esgoto recuperado, por meio de tratamento avançado, é diretamente reutilizado no sistema de água potável.
  • Reúso Potável Indireto:caso em que o esgoto, após tratamento, é disposto na coleção de águas superficiais ou subterrâneas para diluição, purificação natural e posterior captação, tratamento e finalmente utilizado como água potável.

Reúso não potável

Este tipo de reúso apresenta um potencial muito amplo e diversificado. Por não exigir níveis elevados de tratamento, vem se tornando um processo viável economicamente e com rápido desenvolvimento. Pode ser classificado em:

  • Reúso não potável para fins agrícolas:tem como objetivo a irrigação de plantas alimentícias, tais como árvores frutíferas, cereais, e plantas não alimentícias, tais como pastagens e forrações, além de ser aplicável para a hidratação de animais.
  • Reúso não potável para fins industriais:abrange os usos industriais de refrigeração, águas de processo e utilização em caldeiras.
  • Reúso não potável para fins paisagísticos:atende à irrigação de plantas ornamentais, campos de esportes, parques e abastecimento de lagos decorativos.
  • Reúso não potável para fins domésticos:são os casos de reúso de água para a rega de jardins, descargas sanitárias e utilização em grandes edifícios.
  • Reúso para manutenção de vazões:a manutenção de vazões de cursos de água promove a utilização planejada de efluentes tratados, visando a uma adequada diluição de eventuais cargas poluidoras, incluindo-se fontes difusas, além de propiciar uma vazão mínima na estiagem;
  • Aquicultura:produção de peixes e plantas aquáticas visando a obtenção de alimentos e energia através da utilização de nutrientes presentes nos efluentes tratados.
  • Recarga de aquíferos subterrâneos: pode ocorrer de forma direta, pela injeção sob pressão, ou de forma indireta, utilizando-se águas superficiais que tenham recebido descargas de efluentes tratados.

Reúso potável para abastecimento público

A prática de reúso potável direto para abastecimento público já está instituída nos Estados Unidos, na África do Sul, Austrália, Bélgica, Namíbia e Singapura, sem que tenham sido encontrados problemas de saúde pública associados. A existência de casos bem-sucedidos, a visão de segurança adicional no abastecimento de água e a disponibilidade de água com alta qualidade são fatores positivos para a aceitação comunitária da prática de reúso potável direto.

Em contrapartida, se não forem adotadas estratégias de comunicação e de educação comunitária, fatores negativos associados à percepção e aceitação pública podem se tornar elementos inibidores da prática.

O maior fator limitante, entretanto, tem origem nos órgãos reguladores, que adotam posturas conservadoras, propondo normas restritivas, que contribuem para impedir a fundamental prática de reúso de água no Brasil.


Cuidados na utilização da água de reúso

A presença de substâncias químicas e organismos patogênicos na água destinada ao reúso é a preocupação central de seus consumidores. A remoção dos contaminantes dependerá da eficiência dos sistemas de tratamento, cuja tecnologia, por sua vez dependerá da qualidade desejada para a água a ser produzida para reúso.

Os riscos associados às práticas de reúso têm relação com os contaminantes presentes na água recuperada, uma vez que os efluentes possuem produtos químicos tóxicos e microrganismos patogênicos em níveis muito acima dos suportados pelo homem.

 

Reciclagem de efluentes: caminho para o desenvolvimento sustentável

A reciclagem de efluentes e a consequente reutilização dos recursos hídricos é atualmente uma alternativa importante, observando-se a distinção cada vez menor entre técnicas de tratamento de água e técnicas de tratamento de esgotos.

O tratamento de água deve ser visto como um meio de purificar a água de qualquer grau de impureza para um grau de pureza que seja adequada ao uso requisitado.

Medidas como conservar, aumentar a eficiência no consumo e reutilizar a água postergam sua escassez e permitem um desenvolvimento sustentável.

 

E aí, o que achou do nosso artigo sobre reciclagem de efluentes? Comenta aqui embaixo com a sua opinião!

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